Deus, Kierkegaard e o Cepticismo I
KIERKEGAARD Considerado o pai da filosofia existencialista (se não nos referirmos a "precursores", identificando, entre eles, desde logo Santo Agostinho), Sören Kierkegaard concebe a existência de um sujeito como podendo ser vivida em uma de três diferentes esferas: o estádio estético, o estádio ético e o estádio religioso. O que julgo mais profundamente inovador nesta visão, até por causa de consequências que desenvolverei adiante, radica no facto de não haver transição contínua de um estádio para outro. Qualquer um deles é fechado sobre si. Nada justifica, como se se tratasse de uma evolução, a passagem, por exemplo, de uma existência estética, para uma existência ética. São categorias diferentes: pontos de vista de que se não muda por necessidade de uma superação. Se me decido por viver esteticamente, como Don Juan (modelo, segundo Kierkegaard, desse modo da existência), gozando o descomprometimento próprio do sedutor, uma recusa de laços qu...