Deus: Mecânica Quântica e Berkeley I

 Parecendo que fiz um desnecessário desvio, ou que perdi um desajustado tempo com a argumentação kantiana, de facto não cometi nem um nem o outro pecados. O confronto com Kant era indispensável. Porque a) Kant é particularmente importante para mim, sem dúvida, mas tal seria uma razão subjectiva;  ainda: b) a crítica que Kant faz aos outros argumentos é demasiado incisiva para que a ignoremos, c) a desmontagem do argumento ontológico, a que procede especialmente, é de uma inteligência que detecta finamente o verdadeiro problema, d) passa em revista o estado da arte relativamente aos caminhos encetados até então (é certo que não discute outros argumentos de Aquino ou Descartes, mas podemos subentender que os toma por subsumidos no argumento cosmológico - seriam variações do mesmo, afinal -, como é certo que não discute Pascal, mas podemos subentender que considera irrelevante uma prova que nada procura provar) e porque, last but not least, e) ao fazê-los tombar com um murro na mesa, como peças de dominó, os substitui pelo que aponta como um argumento, agora sim, a sério, o argumento dos argumentos. 

Contudo, se até o excelso Kant me frustra nesta tentativa, resta-me concordar com o Rodrigo: todos os argumentos para a existência de Deus coxeiam.

Isto dito, é chegado o momento de afirmar que Deus me regressa por via da mecânica quântica, que, aliás, mais não faz do que reequacionar o que, por outras palavras e por razões diferentes, o filósofo George Berkeley, bispo irlandês, ousara já pensar e levar até às últimas consequências.

Avancemos vagarosamente. 

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